Make your own free website on Tripod.com


voltar

O mundo é muito mais complexo do que podemos imaginar, por isso deveríamos observar cada momento que nem um neném.

 

Kempo e o ilusionismo

Bem no começo, quando eu comecei a treinar com meu sensei Soke Dai Tamashiiryu Heinz Köhnen, ao ele saber que faço apresentações de mágica ele me disse que também fazia shows. Os shows dele eram as aulas que ele dava.

O que é que o artista faz? O artista entretém o público, os espectadores. Ele apresenta o que o público quer ver e para o qual o público pagou. O professor faz a mesma coisa, ele venda a arte para os alunos e em troca recebe a mensalidade e aplausos. E se for bom, mais alunos. E quanto melhor ele conseguir vender a sua arte mais alunos ele tem (sem ter que ser necessariamente bom).

E estes alunos são os alunos que procuram o show, querem ser entretidos, procuram o fenomenal, a garantia que estão aprendendo o supremo, a melhor forma de luta e de preferência, com o melhor mestre, como se algo que nem o melhor mestre existisse.

No show o artista tenta direcionara atenção do público para poder assim criar a sua realidade. Desta forma o público só vê o que o mágico quer que ele vê.

No Kempo agimos do mesmo jeito. Ao sermos atacados tentamos direcionar a atenção (o ataque) de tal forma que o atacante faça o que nós queremos que ele faça.

O grande desafio para um sensei é o malabarismo entre a necessidade de ganhar dinheiro e satisfazer a curiosidade dos alunos, e, tentar transmitir a essência do Budo aos alunos de tal forma que tais ensinamentos fiquem ancorados na consciência dos mesmos(as).

A capacidade de transmitir a essência do Budo no meio da necessidade de sobreviver, denomino de shamanismo. E antes de abordarmos este temas vamos fazer uma pequena excursão ao mundo da paranormalidade.

 

MÁGICA E O PARANORMA

Mágica e o paranormalismo! Um tema muito polemizado, especialmente depois do desafio de um mágico americano em oferecer um milhão de dólares para quem pudesse provar que é paranormal.

Para podermos falar sobre o tema temos que primeiro definir o que é paranormal. E especialmente, o que é paranormal para cada um individualmente. Vamos supor que você é soldado americano pilotando um moderníssimo helicóptero de guerra em pleno séc 21. De repente, por razões inexplicáveis, ocorre uma rachadura no continuo e no tempo e você se encontra não mais no séc 21 e sim no séc 12, na Espanha, sobrevoando uma batalha, uma batalha onde cristãos estão lutando contra mouros e você como bom cristão decide espontaneamente tomar parte e apoiar os cristãos.

O que você acha o que os soldados da época iriam pensar de você. De seu helicóptero? De um demônio capaz de derrotar uma armada inteira cuspindo fogo e lançando raios? E depois de você pousar, e sair desse demônio vestido estranhamente e os cumprimenta carregando um objeto estranho que também é capaz de cuspir fogo? Será que eles iriam idolatra você como o arcanjo Michael? Será que para eles você é um semideus dotado de forças paranormais?

O que é paranormalidade?

O paranormal é tudo aquilo que não podemos explicar. Todos os fenômenos que transcendem: a nossa lógica, nossos conhecimentos e a nossa análise, nós denominamos de paranormal (fora do normal).

E o que denominamos de paranormal? Quando é que termina o normal e começa a paranormalidade?

A acupuntura. Ela é paranormal? Até hoje não se sabe, fisicamente e logicamente, como ela funciona. Nós conhecemos os pontos, sabemos quis pontos se têm de perfurar e como para adquirir certos efeitos, sabemos sobre os meridianos, temos aparelhos eletrônicos capazes de detectar os pontos de acupuntura, mas ninguém é capaz de amostra visivelmente os meridianos, não existe nenhum método capaz de comprovar o efeito desta terapia, e mesmo assim, milhares de médicos em todo o mundo a utilizam, tratam pacientes, a usam como substituto de anestesia em operações no coração.

Será que acupuntura é paranormal? Se não, por que? Ela é inexplicável com os métodos atuais de análise.

Outro exemplo. Andar por cima de brasas. Todo ano, durante oito anos eu fiz isso. No sul da Áustria, perto de Graz, na primavera, fazíamos o ritual da limpeza corporal e espiritual. Depois de montar o feixe, o acendíamos, depois de queimado, as brasas eram espalhadas formando um tapete de 15 metros de comprimento, 5 de largura e 50 cm de espessura, tendo na sua superfície 1000ºC. E depois de estarmos mentalmente preparados, andávamos por cima descalços. E eu nunca vi alguém se queimar. Isso é paranormal? Não. Eu conheço 500 pessoas que já fizeram isso e nunca se queimaram. Você irá encontrar esse ritual no mundo inteiro. Na Índia, nos USA, na África e na Sibéria.

Só por ser por muita gente conhecido e praticado deixa de ser paranormal e vira loucura?

Mais um exemplo. O trance e a incorporação numa casa espírita ou casa de Umbanda ou Candomblé. A incorporação de um espírito é paranormalidade? Para o pessoal do ramo é coisa bem normal. Porquê? Por ser comum?

O problema não é se a paranormalidade existe ou não existe. O problema é a nossa ignorância. O problemas são alguns indivíduos que utilizam truques mágicos e os vendem como paranormalidade enganado os espectadores e em muitos casos estorcendo os mesmos. São indivíduos que se aproveitam da credibilidade, superstição e falta de conhecimento de outros para enriquecerem. O que nunca devemos fazer é generalizar e acusar todos os médiuns de trapaceiros, só por causa de alguns charlatões e a por causa da nossa ignorância. Se um político

é corrupto não significa que todos o são e muito menos que política é coisa corrupta. Se um advogado rouba não significa que a advocacia é coisa de ladrão; se um médico é incompetente,que a medicina é assassinato.

Agora, será que Uri Guella e Thomas Green são charlatões? Será que tudo o que fazem é mentira só por terem trapaceado uma ou duas vezes na televisão?

Bem, paranormalidade não é algo que está presente sempre quando você quer. Paranormalidade é um estado de consciência. Usando as palavras de Carlos Castanheda: é a capacidade de mover o ponto de montagem. É a capacidade de viver por um curto tempo uma outra realidade.

Esta capacidade de viver uma outra realidade acontece durante trance, ao andarmos por cima de brasas (descalço), no caso de uma pessoa em apuros que de repente desenvolve forças fora do comum, etc, etc, etc. E um paranormal, tem essa capacidade inconscientemente ou conscientemente, a capacidade de mover o seu ponto de montagem. Uma capacidade que se pode treinar até um certo ponto.

Um paranormal é denominado de médium, e um médium sob a pressão da televisão, de espectadores e admiradores, de cientistas céticos, de querer amostrar algo e ter sucesso e da própria vaidade, acaba, infelizmente, trapaceando só para ter sucesso. Porque, ninguém é paranormal 24 horas por dia e 7 dias por semana. Porque paranormalidade é um estado de consciência alternado e os sensionalista não querem saber disso, eles(as) só querem ver o espetacular. E requer muitíssima humildade e autocontrole para não virar escravo de tal tentação.

Eu conheço Thomas Green pessoalmente, eu sou mágico e tive a oportunidade de presencia-lo. Ele tem de fato poderes paranormais, ele é um médium muito forte. Só que, infelizmente, durante a sua apresentação no Fantástico, ele em duas das três apresentações, no meu ver, trapaceou. No meu ver, não teria custado nada para ele superar a própria vaidade e constatar que no momento não dá. E isto é o problema. O visitante que ver algo a qualquer custo e o médium vira mágico, vira show máster, ‘enterteiner’, palhaço, comediante e acaba se ridicularizando somente para saciar a curiosidade daqueles presentes. A mesma coisa aconteceu com Uri Guella.

Isto não significa que paranormalidade não existe, que o médium não tenha capacidades paranormais e que tudo é mera mentira. Pelo contrário, Thomas Green, Gasparetto, João de Deus (de Abadiânia), o falecido Edson Queiroz e Chico Xavier, todos eles são e foram grandes médiuns que nos amostram e amostraram que existe um mundo além do nosso mundo racional e que o ser humano ainda não desvendou todos os mistérios, que existe muito mais para aprender do que já aprendemos e que a ultima palavra ainda não foi falada.

Por isso, nós devemos estar sempre conscientes que existe mágicos, excelentes artistas de sua arte, gente que nem Hofzinser, Houdini ou o ainda vivo Michael Ammar. E do outro lado existem ainda muitos mistérios a serem desvendados, e o que para nós hoje é inexplicável, daqui a alguns anos, com o desenvolvimento da consciência humana será esclarecido e fará parte do dia a dia de cada um. Os representantes destes mistérios que nós hoje denominamos de paranormalidade são reais e não são charlatões. Infelizmente a vaidade é o pior inimigo de um bom e capacitado médium. E o cético irá sempre procurar a falha para desacreditar o todo.