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Observando a postura de tiro pode-se determinar o caráter do arqueiro

"ditado Coreano"

voltar para arco japonês - Kyudo

 

Soltar a flecha

 

Urakami Sakae Hanshi, mestre do estilo Heki ryu Insai-ha escreveu:

O objetivo do tiro com arco é, através de treino e determinismo, auto controle e correção, fortalecimento dos tendões e ossos, com o objetivo (a meta, o alvo) mantendo se no Ho (as regras) acertar o alvo. Por isso, todos aqueles que querem atirar com um arco têm que primeiro determinara suas intenções, controlar sua mente e executar as regras (normas) direito, começando com ashibumi, dozukuri, torikake, tenouchi,yugamae, ushiokoshi, hikivake, sanbun no ni, tsumeai, nobiai, yagoro, hanare e zanshin.

Se a postura estiver certa, então as tuas juntas se alinharão precisamente, a tenção muscular estará bem balanceada, seu puxar será de acordo com o seu tamanho, sua mente estará repousada e não será afetada por distrações, seu corpo estará cheio de vitalidade, você e o arco serão uma unidade e o arco irá se encher de força e vida. Desta forma terás que permanecer, de tal foram que todos estes elementos se realizam para que o soltar da flecha aconteça de sozinho (automaticamente).

Uma flecha atirada desta forma jamais irá errar o alvo. Ela irá errar porque tu, por exemplo, está pensando de mais. Não é que nem no mosha guchu (uma flecha atirada com sorte) e sim que nem no Hôsha hitshu (um tiro de acordo com as regras nunca erra o alvo).

É importante eliminar qualquer dúvida, mesmo o nosso pequeno Eu, e ser um com a natureza, não pensar e delimitar, e sim, transcender o pensamento e a vontade de querer (o desejo), e como algo que é refletido num espelho ou a lua que é refletida num lago, acalmar a visão interna e imergir no mundo do munen muso (sem intenção, sem pensamentos) e depois direcionar a flecha de acordo com as normas.

(Olhar pagina: Japão - o arco Kyudu)

 

O que Sensei Urakami escreveu acima resuma praticamente tudo sobre a arte de soltar a flecha.

 

1. Soltar a flecha começa praticamente com a postura, começa no momento em que posicionamos os dedos na corda. Por isso a posição dos meus dedos na corda é fundamental. Cada variação vai mudar a trajetória da flecha.

2. O segundo elemento importante é a puxada e a abertura do meu peito e o alinhamento das minhas costas.

3. Depois vem a ancoragem.

 

Até agora nada é novidade, mas nunca canso em repetir isto porque são passos facilmente esquecidos. A postura certa do meu corpo vai determinar a posição da minha cabeça que por sua vez vai determinar a ancoragem certa. E é a ancoragem que vai determinar o meu tiro.

 

Soltar a flecha envolve 4 fases:

 

1 Fase: Mirar:

Depois de termos puxado a corda e ancorado a mão debaixo do queixo, começa a fase final de mira. Já na puxada eu alinho a mira do arco com o centro do alvo, mas é na puxada final que eu acerto a mira. Nesta fase eu mantenho a mira no centro do alvo com o meu braço esquerdo (para destros, canhotos o inverso) e com a minha mão direta eu acerto a corda na ponta do nariz e a sombra da corda num ponto fixo no arco. Portanto eu tenho três referencias: o nariz, o queixo e a sombra da corda no arco ou mira) Estas três referencias vão determinar se a flecha vai acertar o alvo conforme a mira foi ajustada.

Ao mirar, acontece que não dá para manter o braço esquerdo que segura o arco imóvel. se isso der, fantástico, mas na maioria dos casos nós oscilamos com o braço. Para tal existem várias técnicas.

Técnicas de mira:

1. Eu posso começar mirando um pouco abaixo do centro do alvo e quando a ancoragem estiver certa começar a levantar o arco devagar e no momento que eu passar pelo centro largar a corda.

2. Eu posso começar mirando acima do alvo e ir descendo a mira até passar pelo centro do alvo.

3. Eu posso circundar o centro, mover o arco em minúsculos círculos e no momento que eu passar pelo centro do alvo soltar a corda.

4. eu posso fazer um oito deitado. Desta forma eu sempre irei passar com a mira pelo centro do alvo, ora subindo, ora descendo.

Não existe a melhor forma de mirar. Cada arqueiro (a) tem que achar o seu jeito individual. É bom tentar várias formas, ouvir como outros arqueiros fazem, e achar o seu jeito individual. Eu pessoalmente gosto no arco composto indo subindo com a mira. Já no recurvo eu tento manter a mira no centro até a puxada final fazendo pequenos círculos. Agora cada um tem que achar o seu padrão individual.

 

 

2. Fase: Tenção nas costas:

Agora estamos na postura certa, com a puxada certa. A flecha está quase na sua puxada final. Para tal o arco recurvo tem uma ajuda, o chamado clicker. O clicker deveria ser ajustado de tal forma que a flecha somente o passará por completo na tenção final da musculatura das costas, e não antes.

Já no composto não precisa de clicker porque as roldanas tem uma trava que determina a puxada final da flecha.

Voltando para o arco recurvo: Uma vez estando tudo certo, eu começo a me concentrar no cotovelo e trazê-lo para trás. Ao me concentrar no cotovelo eu automaticamente contraio a musculatura das costas assim evitando mover o ombro e mudar a minha postura. Esta contração dos músculos é exatamente a puxada final necessária para a flecha atravessar o clicker.

 

 

3. Fase: soltar a corda:

Uma vez que a flecha passou o clicker, se mantêm por uma fração de segundo a postura, conferindo a mira e depois se solta a corda.

A corda é solta, e não largada. O processo é passivo. Ao soltar a corda nós relaxamos os dedos e não de tal forma que a mão automaticamente vai para trás encostando com os dedos na nuca por causa da tenção muscular das costas. Soltar a corda não é um procedimento ativo onde os dedos se abrem ou estendem e sim um processo de relaxamento da mão.

è muito importante quando nós formos fazer a puxada não ficar abrindo a mão pouco a pouco ao puxarmos a corda. isto é um erro muito comumente praticado. Tal erro faz com que a corda torce ao momento que ela desliza pelos dedos. Aí, depois de ser solta e se destorce desviando a flecha do seu alvo. Ao puxarmos a corda devemos sempre manter os dedos firmes até o momento final, sem torcer a corda, e na hora do tiro aí relaxar os dedos de tal forma que a corda é solta com a menor resistência possivel.

O momento certo de soltar a corda é uma momento bem intuitivo. Se a minha concentração estiver certo, o meu corpo saberá o momento certo. e tal momento nós sabemos que foi certo depois do tiro. É uma sensação muito agradável ter atirado no momento certo. Pode acontecer que nós fizemos tudo certo, atiramos no momento certo e não acertamos o centro. isso acontece. Isso acontece e as razões são várias, pode ser que a mira não está ajustada, ou está solta, ou pode ser que simplesmente esquecemos de mirar no centro do alvo.

 

 

4. Fase: Manter o braço:

esta 4 fase é muito importante. Muitos atletas depois do tiro tem a mania de abaixar imediatamente o braço depois do tiro. Com o arco recurvo tal vicio pode e na maioria dos caso causa que a flecha perca altura e acerte embaixo do alvo. Portanto, depois do tiro se deve manter o braço erguido até a flecha acertar o alvo. Desta forma se mantêm a concentração por uma pouco de tempo a mais. Na realidade se deveria de empurrar o arco um pouco para a frente durante a puxada, e tal forma que depois do tiro o arco caia por cima da mão relaxada e aberta do braço esquerdo.

Existe uma técnica muito boa, especialmente para o treino, que é fechar os olhos depois que a flecha deixou o arco. Isso nos ensina a não nos preocupar com o tiro depois que ele foi dado, e a nos concentra na nossa própria postura e estado mental.

Depois do tiro, depois da flecha ter acertado o alvo, você abaixa o braço, espira e relaxa o corpo e a mente. confere na luneta o seu tiro e se prepara para o próximo tiro, que deveria ser de novo o seu único tiro.

 

e aqui termina a soltura da corda. como podemos ver, cada fase do tiro depende das outras fases, se tornando uma unidade. Uma fase é seguida pela próxima num processo contínuo e fluido que em harmonia vão nos dar um bom tiro.